Literatura · Livros e Filmes

ARTE POÉTICA – ARISTÓTELES ( RESENHA)

ARISTÓTELES.Arte Poética.In: A Poética Clássica/Aristóteles, Horácio, Longino;Introdução por Roberto de Oliveira Brandão; Tradução direta do grego e do latim por Jaime bruna; 7ed., São Paulo, Cultrix, 1987.

A Poética de Aristóteles
 
A  “Arte Poética” de Aristóteles é uma reflexão do grande filósofo sobre os problemas da arte e em especial aos da literatura. O propósito do texto é tratar da natureza e espécies da poesia e da estrutura que deve ter as fábulas para o bom êxito do poema.
Aristóteles distinguiu cuidadosamente o domínio da arte ,em geral, e o domínio da poesia, em particular, analisando os textos poéticos na sua diversidade emWP_20160426_09_07_20_Propírica e classificando-os em função dos seus caracteres formais e semânticos.
Segundo o filósofo o fundamento da poesia se constitui na imitação e por isso há duas causas: “Imitar é uma qualidade congênita dos homens”, a outra que, ” Todos apreciam as imitações”. Na imitação, a poesia se aparenta com a filosofia, enfatiza os “homens em ação”, suas características, suas paixões e ações.
A mimese tanto constitui a unificação dos textos poéticos quanto seu diferenciador. Na poética aristotélica a distinção dos textos tem  seus critérios que consistem nos meios, objetos e modos. A mimese por meios diferentes, nos quais é possível distinguir poesias em que ocorram simultâneos o ritmo, o canto e o verso (comédia e tragédia), ou os gêneros em que a poética utiliza esses elementos, porém, de forma parcial (como o canto na tragédia e na comédia que só é utilizado nas partes liricas).
Referentes aos objetos da mimese poética, os gêneros literários são classificados – conforme “os homens em ação” – ou seja, sob o ponto de vista moral desses homens, sendo eles superiores, inferiores ou semelhantes à média humana.
A distinção segundo os modos se dá no momento em que o poeta pode imitar os idênticos objetos, utilizando os mesmos meios, entretanto, adotando diferentes modos, sendo eles: o narrativo e o dramático.
O narrativo consiste na imitação narrativa, é dividido em dois sub-modos: no primeiro, o poeta pode narrar através de um personagem, ou narra por si mesmo este considerado por Aristóteles como digno de louvor, aquele, censurável e próprio de maus poetas. O segundo sub-modo narrativo, caracterizado pelos poemas épicos, aproxima-se do dramático e assim, Aristóteles qualifica os poemas de Homero como imitações dramáticas, já que não é possível imitar várias partes da ação num desenvolvimento contínuo, mas apenas a cena em que os atores estão atuando.
A poética aristotélica faz distinção das modalidades da poesia, tanto em elementos relativos ao conteúdo, quanto aos relativos à forma e organização estrutural dos textos.
É evidente sua resistência ao reconhecimento da lírica como uma modalidade poética equiparável à narração à narração e à poesia dramática. Entretanto, a tragédia é a base da teoria de Aristóteles, posto que, dos vinte e seis capítulos de sua poética, dezessete são dedicados ao estudo da mesma. A tragédia é então a imitação da ação de um homem de caráter elevado que visa a purificação das emoções (catarse) e suscita o temor e a piedade no expectador sendo suas partes qualitativas: o mito (imitação e composição das ações), o caráter (qualidade moral), o pensamento (elemento lógico), a elocução (falas), a melopéia e o espetáculo (canto oral).
É no capítulo XXIII que Aristóteles dá inicio à abordagem do segundo modo de representação poética a epopeia (imitação narrativa metrificada).
As determinações quanto à composição da epopeia são as mesmas do gênero trágico, devendo estar “em torno de uma ação inteira e completa, com início, meio e fim”. Incidirá em erro o poeta épico que proceder como um historiador, visto que, o relato de fatos que não se ligam a um objetivo comum apenas distorcem o propósito da obra. Neste ponto mais uma vez Aristóteles elogia Homero quando no canto II de A Ilíada o poeta não tentou narrar por inteiro a guerra de Troia, embora ela tenha tido um começo e um fim. É neste ponto que se deve observar a verossimilhança como critério fundamental do conceito aristotélico de mimese; significa que, o objeto da representação do poeta não é o que de fato acontece, mas, o que é possível acontecer.
A epopeia para Aristóteles deve apresentar as mesmas espécies da tragédia: simples, complexa, de caracteres e de efeito violento, como também as mesmas partes, com exceção da melopeia e do espetáculo cênico. requer ainda partes do mito, peripécias, reconhecimentos e catástrofes, sendo que o pensamento e a linguagem devem ser excelentes.
No capitulo XXIV encontram-se as diferenças entre epopeia e tragédia, a primeira é a extensão, diferente da tragédia é permitido à epopeia ampliar sua extensão devido ao não uso de um único lugar cênico; a segunda diferença diz respeito ao metro, que segundo o filósofo o único adequado à epopeia é o verso heroico por ser mais grave e amplo.
A conclusão da poética se dá no capítulo XXIV com a afirmação da necessidade de esforços para uma linguagem mais apurada dos poetas, mas somente nas partes que não contenham ação, caracteres e pensamento, visto que, uma elocução brilhante pode ofuscar esses componentes.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *